Apagão: onde está o plano de continuidade?!

apagaoOntem passamos por uma situação que mostra o quanto os conceitos do ITIL se aplicam a qualquer contexto em que um serviço é prestado, seja ele de que natureza for. O apagão pelo qual boa parte do país passou é uma mostra clara que planos de continuidade definitivamente não são um luxo e que serviços críticos precisam passar constantemente por testes de continuidade. Especialistas que foram consultados estranharam a ausência de uma contingência para a pane na transmissão. Como o sistema é interligado, em teoria seria possível que a energia que faltou fosse suprida por outras usinas que utilizam outras linhas de transmissão. Reportagem do jornal O GLOBO (http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/11/11/apagao-especialistas-em-energia-estranham-falta-de-backup-914698792.asp) mostra a surpresa dos especialistas com o não funcionamento dessa interligação. Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que uma pane tão longa deveria fazer com que as usinas térmicas entrassem em funcionamento e compensassem a falha na rede que interliga Itaipu ao Sudeste. A pergunta que se faz é: porque não funcionou? O plano de continuidade nunca foi testado ou não foi testado em condições suficientemente realistas? Não havia um plano de continuidade específico para essa falha? Não foi realizado um BIA (Business Impact Analysis) que considerasse essa linha uma função vital de negócio (VBF) e cujo impacto do não funcionamento seria grande o suficiente para justificar sérios investimentos em continuidade? A capacidade do plano B não supre a necessidade mínima (SLA mínimo) de fornecimento? Não havia uma CFIA (Component Failure Impact Analysis) ou FTA (Fault Tree Analysis) suficientemente abrangentes? Essa linha de transmissão é  um SPOF (single point of failure) para o sistema?  Todas essas perguntas seriam feitas ao se aplicar conceitos fundamentais de continuidade, capacidade, disponibilidade e níveis de serviço. Vamos dar uma luz, que tanto falta para os gestores que cuidam da geração e distribuição de energia em nosso país: vamos certificá-los em ITIL Service Manager! Ou seria Foundation?

Bruno Caiado

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About the author

Bruno Caiado é colunista do ITIL na Prática. Desenvolveu frameworks para avaliação do serviço de TI e mecanismos de governança para clientes globais da IBM. Fez residência em Austin-Texas sobre soluções TIVOLI de Service Management. Hoje atua como ITSM Consultant para TIVOLI, desenvolvendo soluções de gerenciamento de serviços e ministrando cursos de ITIL para clientes e funcionários da IBM. É graduado em Engenharia da Computação e certificado em ITIL V2 Manager.

3 Comments

  1. ellieborges disse:

    Tem toda razão Bruno. Melhor ainda seria uma lei obrigando os órgãos públicos, e todas as funções que tem missão crítica (como o hospital que não tinha gerador e teve que correr com as criancinhas para fora da UTI!!!) a se certificar na Norma BS 25999. Desta maneira as coisas críticas não ficariam abandonadas como ficam por falta de recursos ou quaisquer outras desculpas que ouvimos por ai. Tem dinheiro de monte no pre-sal. Adivinha para onde irá?

  2. Bruno Caiado disse:

    Muito bem lembrado Ellie! Já existe uma norma (BS25999) que define padrões para o plano de recuperação de desastre. É nessas horas que os padrões de qualidade são lembrados………..uma pena que precisamos passar por situações como essas para lembrar.

  3. Guilherme disse:

    Bruno, muito bom o artigo! Parabéns. Só apenas gostaria de fazer uma analogia, se trouxemos este problema para o mundo da Tecnologia, o problema seria de Telecom, mais precisamente no link. Ou seja, responsabilidade da Telefônica! Até na comparação a culpa é dela. hehehehe. Abraços

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