Não adianta. Creio que este seja um dos maiores assuntos e “calos nos pés” de quem trabalha com a gestão de serviços de TI. A eterna briga entre os participantes e os gerentes dos processos de gerenciamento de incidentes e problemas.
Vamos as definições rápidas. Essas duas disciplinas tem interesses relativamente conflitantes. O objetivo do gerenciamento de incidentes é restabeler a operação normal do serviço o mais rápido possível – resolver o incidente. Como dizem lá na minha terra “apagar incêndios”…
Já o objetivo do Gerenciamento de problemas é investigar as causas subjacentes (causas raízes, aquelas que se resolvidas, solucionarão definitivamente o problema). Isso é feito não para todos os incidentes, mas para aqueles considerados críticos para o negócio: de grande impacto ou recorrentes. O pessoal da gestão de Problemas quer entender , investigar e descobrir “porque pegou fogo” e acompanhar a implementação de medidas para que novos incêndios não ocorram.
Mais ou menos assim: durante um incêndio, os integrantes da equipe de gestão de incidentes são os bombeiros. A equipe de gestão de problemas trabalha como os peritos, que entram depois (na grande maioria das vezes) que o incendio acabou, para investigar o que foi o causador do incêndio.
Com esse exemplo , fica bem claro entender porque tantas organizações fracassam na implementação e operação do processo de gerenciamento de problemas.
É claro, que o chefe da equipe de bombeiros e dos peritos não deve ser o mesmo. Eles tem metas e objetivos diferentes. E também é claro que um bombeiro não pode ser perito e vice versa. Imaginem o perito/bombeiro lá, investigando as causas de um incêndio e rapidamente é chamado para apagar fogo em outro bairro… para qual chamada ele dará prioridade?
Analogias a parte, é exatamente isso que acontece no dia a dia de uma equipe que precisa solucionar incidentes e ao mesmo tempo resolver problemas. O suporte técnico está lá, iniciando a investigação da causa raiz de problema e… rapidamente é interrompido para solucionar OUTRO incidente!! Obviamente a gerencia de incidentes sempre terá prioridade sobre a gerencia de problemas…principalmente se a quantidade de “bombeiros/peritos” for escassa.
E voltando para nosso exemplo, qual é a moral da história?
O bombeiro (A EQUIPE DE INCIDENTES) ajuda o perito (A EQUIPE DE PROBLEMAS) , com informações valiosíssimas sobre o incêndio (onde, quando começou, quais foram suas características) e INFORMAÇÕES SOBRE O INCIDENTE (classificação, priorização, informações sobre a atuação e encerramento).
O perito (A EQUIPE DE PROBLEMAS) ajuda o bombeiro (A EQUIPE DE INCIDENTES), investigando (OS PROBLEMAS) e levando soluções (ATRAVÉS DE MUDANÇAS) para que novos incêndios não ocorram. Também oferece, através de suas investigações, novas técnicas para apagar incêndios mais rapidamente e adequadamente (SOLUÇÕES DE CONTORNO MELHORES PARA AS EQUIPES DE SUPORTE TÉCNICO).
No final das contas, qual papel é mais importante? Não adianta brigar, ambos são importantes! Se por um lado é preciso combater todos os incêndios (INCIDENTES) , por outro não adianta observar um incêndio em cada esquina todos os dias, ocasionado pelo mesmo motivo – como por exemplo má instalação elétrica e não fazer absolutamente nada (PROBLEMAS que são relacionados a incidentes recorrentes, por exemplo).
Um deve complementar, ter sinergia, auxiliar e não entrar em conflito com o outro, porque, apesar de diferentes, os papéis do gerenciamento de incidentes e problemas são complementares. Juntos, eles trazem benefícios para a organização de TI, para os usuários e para os clientes que são tangíveis – menor desgaste da equipe de TI, maior confiança da parte do cliente e aquilo que toda organização precisa para garantir sua sobrevivência - aumento da eficiência e ECONOMIA de custos.
Uma semana “quente” para todos e até a próxima.
Cláudia Marquesani
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Muito legal seu artigo Cláudia, eu trabalho com gestão de problemas e seu artigo expressa exatamente o que acontece.
A gestão de incidentes as vezes não sabe até onde tem que ir e a gestão de problemas quer trabalhar em tempo real(no incidente). É muito difícil entender isso, principalmente para quem ainda não estudou ITIL ou não se certificou…
Parabéns pelo artigo.
Mauro,
Obrigada pro acompanhar nosso site. Também trabalho com gerenciamento de problemas, portanto digo isso com conhecimento de causa. Creio que a medida que as pessoas se conscientizarem dos papéis e responsabilidades de cada processo e de como eles podem se ajudar, a situaçao começará a mudar. Por enquanto… vamos levando não é mesmo?
Abraços e obrigada pelos elogios!
Concordo plenamente com você Cláudia, realmente é muito complicado uma organização que quer implementar ITIL começando pelo Service Desk, sem implementar efetivamente um Gerenciamento de Incidentes e sem criar o Gerenciamento de Problemas… esta empresa virará uma máquinas de resolver índices de quantidade de incidentes cada vez maiores sem perceber que isso é um fardo pesado nos custos da empresa. é preciso uma sinergia precisa e frequente a fim de reduzir custos e melhorar a qualidade dos serviços prestados pela TI aos usuários e clientes. Parabéns pelo artigo, disseminando as assertividades é que as melhores práticas ganham valor!!!
Rafael Sá Oliveira
Analista de TI – ITIL COBIT BSC
rsobsb.wordpress.com
Rafael, Obrigada por acompanhar o nosso site e pelos elogios. Realmente, acredito que o conhecimento é nossa melhor opção, sempre!
Quem sabe dessa forma, um dia , teremos uma gestão de problemas madura o suficiente para ajudar a organização a atingir seus objetivos de negócio… Quem sabe…
Bjs